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Leda e o Cisne - A mais cobiçada das obras perdidas de Leonardo Da Vinci






Leda e o cisne é a mais cobiçada das obras perdidas de Leonardo. A existência de muitas cópias, incluindo uma feita por seus alunos no ateliê, indica que provavelmente Leonardo terminou a própria versão. Lomazzo afirma que uma "Leda nua" foi uma das poucas pinturas finalizadas por Leonardo e, ao que parece, há um relato sobre ela no palácio real francês de Fontainebleau datado de 1625:


"Uma figura de Leda em pé, nua quase por inteiro, com o cisne e dois ovos ao lado, de cujas cascas quebradas saem quatro bebês", escreveu um visitante.


Parece com a suposta pintura de Leonardo, exceto pelo fato de que Leda, tanto no desenho original quanto nas cópias, esta nua por completo. Existe uma história tão deliciosa que infelizmente só pode ser mentira de que ela teria sido destruída pela Madame de Maintenon, amante e segunda esposa secreta de Luís XIV, por tê-la considerado muito indecente.


O mito de Leda e o cisne conta a história de como o deus grego Zeus assumiu a forma de um cisne e seduziu a linda princesa mortal Leda. Ela gera dois ovos, dos quais nascem dois pares de gêmeos: Helena (que mais tarde ficaria conhecida como Helena de Tróia) e Clitemnestra, Castor e Pólux. A representação feita por Leonardo foca mais a fertilidade do que o sexo, em vez de pintar a cena da sedução, como outros haviam feito, ele decidiu retratar o momento dos nascimentos, mostrando Leda acariciando o cisne enquanto os quatro filhos se contorcem para sair das cascas. Uma das cópias mais vibrantes foi feita pelo pupilo Francesco Melzi.


Enquanto trabalhava nesta pintura durante a segunda temporada em Florença no início dos anos 1500, Leonardo estava estudando mais intensamente o vôo dos pássaros e planejando um teste de vôo para uma de suas máquinas voadoras, que ele esperava lançar do topo do Monte de Cisne ( Monte Ceceri). A anotação sobre a lembrança de infância envolvendo um pássaro que entrou voando no quarto, pousou no berço e açoitou sua boca coma cauda também é desse período.


Leonardo fez um esboço preparatório da pintura em algum momento de 1505. Ele mostra Leda ajoelhada, com o corpo virado com se estivesse se contorcendo de alegria enquanto o cisne a acaricia com o bico. As hachuras feitas com a mão esquerda, características de Leonardo, são curvas, técnica que ele começara a utilizar nos desenhos de máquinas na década de 1490 e então passara a usar para conferir a impressão de volume e modelar superfícies curvas. A técnica está presente de modo bem pronunciado na opulenta barriga de Leda e no peito do cisne. Como era típico de Leonardo, o desenho transmite uma narrativa: enquanto a ave esfrega o bico de forma insinuante na mulher, esta aponta para o que eles haviam produzido: crianças saindo dos ovos em meio às espirais dinâmicas da vegetação. O desenho vibra com movimento e energia, nenhum elemento parece estático.


De acordo com as cópias que ainda existem, ao transformar o desenho em uma pintura completa, Leonardo mudou a pose de Leda para que ficasse em pé, deixando o corpo nu mais gracioso e suave. Ela está afastando de leve a cabeça do cisne e olhando para baixo de forma recatada, embora ao mesmo tempo vire a parte superior do corpo em sua direção. Leda acaricia o pescoço do animal enquanto ele envolve suas nádegas firmemente com as asas. Ambos exalam uma beleza sinuosa sensual.


A sexualidade vulgar e mundana faz o desenho parecer atípico. Essa pintura narrativa em painel de cunho não religioso (partindo do princípio de que as façanhas sexuais dos gregos não sejam consideradas um tema religioso) seria a única cena claramente sexual ou erótica produzida por Leonardo.


E, mesmo assim, ela nem era muito erótica, pelo menos nas cópias hoje disponíveis. Leonardo não era Ticiano: jamais havia pintado romance ou erotismo. Na verdade, dois temas predominam na obra. Ela transmite uma harmonia doméstica e familiar, um retrato agradável de um casal em casa, em seu lago, abraçando-se enquanto admiram os filhos recém-nascidos.


Também vai além do erótico para focar o aspecto da procriação pesente na história. Da exuberância da vegetação à fecundidade do solo, passando pela eclosão dos ovos, a imagem é uma celebração da fertilidade da natureza. Diferentemente das representações costumeiras do mito de Leda, a de Leonardo não era sobre sexo, mas sobre nascimento.


Pelo jeito, os temas relativos a renovação geracional a natural o afetavam agora que estava com cinquenta e poucos anos e não tinha herdeiros. Por volta da mesma época em que começou a trabalhar na pintura, Leonardo adotou o pupilo Francesco Melzi, que produziu a cópia da imagem de Leda - para ser seu sucessor e herdeiro.


Trecho livro: Leonardo Da Vinci - Walter Isaacson



 

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